Como a escuta ativa pode transformar a cultura da sua empresa
- Boon Comunica
- 24 de jul. de 2025
- 4 min de leitura

Se existe uma competência que diferencia empresas comuns de empresas excelentes, é a capacidade de ouvir de verdade.
No contexto corporativo, a escuta ativa é mais do que uma habilidade comportamental: é uma prática estratégica que influencia confiança, engajamento, inovação e resultados financeiros.
Um estudo da Salesforce revelou que colaboradores que sentem sua voz valorizada têm 4,6 vezes mais probabilidade de se sentirem capacitados a entregar seu melhor trabalho.
Já a consultoria BetterUp demonstrou que ambientes com forte senso de pertencimento — construído em grande parte pela escuta — geram 50% menos rotatividade e 75% menos dias de afastamento médico.
A seguir, você vai compreender por que a escuta ativa não é apenas uma técnica, mas um pilar de cultura organizacional, e como seu RH pode implementá-la com consistência.
O que é escuta ativa na prática
A escuta ativa é o processo de ouvir com atenção total, empatia e intenção de compreender, indo além da simples recepção de informações. Ela envolve:
Escuta cognitiva — entender os fatos e argumentos.
Escuta emocional — perceber sentimentos implícitos.
Escuta comportamental — demonstrar interesse genuíno com perguntas, validações e ações.
Segundo Carl Rogers, psicólogo pioneiro da Abordagem Centrada na Pessoa, quando alguém é escutado genuinamente, consegue enxergar seu mundo de novas maneiras e mudar aspectos que pareciam insolúveis.
O impacto comprovado na cultura organizacional
1) Aumento da sensação de pertencimento
A BetterUp destaca que o sentimento de pertencimento aumenta em 56% a performance individual, além de elevar o engajamento e a lealdade.
2) Melhoria da confiança nas lideranças
Dados do Edelman Trust Barometer 2023 indicam que a escuta ativa é um dos fatores que mais fortalecem a confiança nas empresas — mais até do que salários e benefícios isolados.
3) Redução do turnover
Pesquisas da Gallup apontam que equipes com altos índices de engajamento — frequentemente associados a líderes que praticam escuta ativa, reconhecimento e comunicação clara — apresentam 21% mais rentabilidade e 59% menos rotatividade do que grupos com baixo engajamento.
Sinais de que a cultura da sua empresa não valoriza a escuta
Reuniões em que poucos se manifestam e decisões parecem unilaterais
Pesquisas de clima com baixo índice de participação
Boatos e reclamações que circulam mais nos bastidores do que nos canais oficiais
Falta de inovação — ideias não emergem porque não há espaço para vozes diversas
Quando esses sinais aparecem, a empresa pode estar vivendo uma cultura de silêncio organizacional, conceito descrito por Elizabeth Morrison, professora da NYU, como um fenômeno em que colaboradores se calam por medo ou descrença de que serão levados a sério.
Exemplos práticos de escuta ativa transformando culturas
Case Patagonia
A Patagonia destoa do mercado com uma taxa de turnover extremamente baixa — cerca de 4% ao ano, enquanto a média do setor de varejo americano chega a 13–18%. Essa retenção se deve a uma cultura genuína de feedback contínuo, que inclui town halls abertos, check-ins frequentes e lideranças acessíveis à escuta de seus colaboradores
Case Cleveland Clinic
A Cleveland Clinic fortaleceu sua cultura de empatia e escuta ativa com programas como Communicate with H.E.A.R.T.®, que ensina comunicação compassiva, e o modelo REDE, desenvolvido para melhorar a relação entre médicos, pacientes e equipes.
Participantes do programa REDE relataram aumento da empatia, autoestima profissional e redução de burnout três meses após a conclusão – demonstrando que escutar de forma intencional supera a simples transmissão de informações.
Além disso, ações como o Leadership Rounding, no qual líderes fazem visitas regulares para ouvir equipes, reforçam a confiança e a conexão entre diferentes níveis hierárquicos.
Quais erros podem sabotar a escuta ativa?
Escutar sem responder: feedbacks coletados sem qualquer retorno descredibilizam a iniciativa.
Fazer só por compliance: quando o programa vira um ritual burocrático, perde legitimidade.
Limitar ao RH: a escuta é responsabilidade de todos os líderes.
5 passos para implementar uma cultura de escuta ativa
1) Diagnosticar é o ponto de partida: use pesquisas de clima e entrevistas individuais para mapear como os colaboradores percebem a comunicação.
2) Desenvolva competências em liderança: promova workshops e role plays de escuta empática e perguntas poderosas.
3) Diversifique os canais: combine surveys anônimos, reuniões one-on-one e fóruns abertos.
4) Comunique os resultados e ações: seja transparente sobre o que será feito — e o que não será — a partir dos feedbacks.
5) Mensurar e ajustar continuamente: indicadores como NPS interno, turnover e engajamento ajudam a calibrar.
Métricas essenciais
NPS interno (Net Promoter Score): indica o nível de satisfação e lealdade dos colaboradores em relação à empresa.
Taxa de participação em pesquisas de clima: reflete o engajamento e a confiança no processo de escuta.
Número de ideias implementadas a partir de feedbacks: demonstra que as contribuições realmente geram impacto prático.
Índice de pertencimento: mede o quanto os colaboradores se sentem incluídos, respeitados e valorizados pela organização (por meio de surveys específicos).
Evolução do turnover voluntário: mostra se a percepção de voz ativa contribui para retenção no médio prazo.
Escutar ativamente é um investimento na cultura e no futuro do negócio. Empresas que praticam a escuta não apenas retêm talentos: constroem times mais criativos, engajados e resilientes.
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